Ponta do Corumbau (BA)

Ponta do Corumbau. Um paraíso preservado de águas cristalinas escondido no sul da Bahia

Foto de Américo, Simone e Meg

Américo, Simone e Meg

Que as nossas experiências inspirem sua próxima grande aventura!

Ponta do Corumbau, no sul da Bahia, um paraíso quase intocado, onde águas cristalinas encontram paisagens de tirar o fôlego. Ainda fora do radar da maioria dos turistas, esse refúgio guarda não apenas praias deslumbrantes, mas também uma atmosfera única de paz e tranquilidade. Que tal viver a mesma experiência, despertar seu espírito aventureiro e incluir no seu roteiro a descoberta das maravilhas desse destino encantador?

Como chegamos na Ponta do Corumbau

Conhecer a Ponta do Corumbau, sem dúvida, foi a melhor decisão da nossa jornada pelo sul da Bahia no mês janeiro de 2026. Depois de dias explorando praias exóticas e cenários impressionantes, escolhemos encerrar o roteiro em Cumuruxatiba, de onde partimos para um passeio de barco até esse destino simplesmente deslumbrante. A experiência superou todas as expectativas.

Somos da região Sul do Brasil e rodamos mais de 2,5 mil km de carro para passar nossas férias na região de Trancoso e Arraial d’Ajuda, sendo que reservamos 3 dias para conhecer Cumuruxatiba. Saimos de Arraial e seguimos até Eunápolis, depois acessamos a BR-101 em direção a Itamaraju (BA). A partir deste trecho, encaramos a BA-489, estrada de terra que liga Itamaraju a Cumuruxatiba. Foram cerca de 75 km, mais ou menos 1h30 de percurso em um trajeto que exigiu atenção, com trechos irregulares, buracos e pontos de lama por conta da chuva da noite anterior, mas nada que diminuísse a nossa empolgação de chegar ao destino.

Cumuruxatiba, Praia do Moreira e Barra do Cahy

Nossa hospedagem na vila de Cumuruxatiba foi a ViaMar Quitinetes, escolhida através da plataforma do Airbnb. Muito bem localizada, próxima à Praia da Igrejinha no centro e do ponto de saída dos passeios de barco. O espaço atendeu perfeitamente às nossas necessidades, com varanda, cozinha compacta e uma cama extremamente confortável, além de ser pet friendly para a alegria da nossa Meg.

Cumuruxatiba, distrito encantador de Prado, é o refúgio ideal para quem busca sossego e autenticidade no litoral da Bahia. Longe do ritmo acelerado de destinos mais populares, o vilarejo preserva seu clima tranquilo, em parte por ainda não contar com acesso totalmente pavimentado, um detalhe que ajuda a manter seu charme rústico e exclusivo.

A paisagem é marcada por extensas faixas de areia dourada, emolduradas por falésias de tons vibrantes que criam cenários únicos. As praias, muitas vezes quase desertas, convidam a longas caminhadas e momentos de contemplação.

Apesar do clima simples, Cumuruxatiba oferece boas opções de hospedagem e uma gastronomia que surpreende pela qualidade. Ao longo da orla e outros no centrinho, existem vários restaurantes acolhedores que servem pratos típicos da região, como moqueca, bobó de camarão e outras delícias da culinária baiana, garantindo uma experiência saborosa e autêntica aos visitantes.

Durante os três dias que passamos em Cumuruxatiba, além do passeio até a Ponta do Corumbau — reservamos um tempo especial para explorar a Praia do Moreira e a Barra do Cahy, dois cenários indispensáveis em qualquer roteiro pela região. O acesso a ambos segue pela mesma estrada de terra, que exige atenção: há trechos com buracos, areia fofa e, em dias de chuva, a lama pode dificultar o trajeto. Ainda assim, com cautela, é possível chegar com carros comuns. Em um único dia, conseguimos conhecer esses dois verdadeiros paraísos por conta própria.

Praia do Moreira

A partir de Cumuruxatiba, a Praia do Moreira fica a cerca de 16 minutos de carro. Antes mesmo de descer até a areia, um mirante natural no alto de um platô revela uma vista ampla e impressionante. Um dos grandes encantos desse lugar é justamente a ausência de quiosques ou construções à beira-mar, o que mantém o ambiente preservado e silencioso. Coqueiros e amendoeiras oferecem sombra natural, perfeita para relaxar sem pressa. O mar, em tons cristalinos de azul-turquesa, é convidativo, e na maré baixa surgem piscinas naturais ideais para um banho tranquilo.

Para aproveitar melhor esse trecho, é importante ir preparado: levar água, bebidas e algo para comer faz toda a diferença, já que não há estrutura no local. E, claro, preservar o ambiente é essencial, recolher todo o lixo garante que o cenário continue intacto. Nas proximidades, a Ponta do Imbassuaba pode ser alcançada com uma caminhada pela areia, levando a formações rochosas onde novas piscinas naturais se formam.

Barra do Cahy

Seguindo pela mesma estrada por cerca de 30 minutos, chega-se à Barra do Cahy. O local conta com um amplo espaço para estacionar, cercado por coqueiros e vegetação nativa, além de um mirante que proporciona uma vista panorâmica marcante. De um lado, destacam-se as falésias coloridas, os coqueirais e uma estrutura com quiosques, espreguiçadeiras e restaurantes; do outro, o encontro do Rio Cahy com o mar cria um cenário único. Caminhando aproximadamente 300 metros, é possível encontrar um marco esculpido em madeira que indica, segundo estudos históricos recentes, o provável ponto de chegada dos portugueses ao Brasil em 1500, descrito na famosa Carta de Pero Vaz de Caminha, uma verdadeira viagem no tempo em meio à paisagem natural.

Rumo a Ponta do Corumbau

Na véspera do passeio, caminhando pela orla, encontramos a Embarcação Libra, que oferece passeios náuticos pela região, incluindo a Ponta do Corumbau. Fizemos a reserva e garantimos nosso lugar para o dia seguinte. O custo foi de 200 reais por pessoa e também alugamos o snorkel, a 15 reais, um adicional acessível e indispensável que vale a pena, principalmente em dias de boa visibilidade.

A manhã amanheceu perfeita: céu azul, clima agradável e ótimas condições de maré para aproveitar os corais. A embarcação partiu por volta das 9h, com cerca de 20 pessoas a bordo, e a travessia durou aproximadamente 1h30. No início, o mar estava calmo, mas, ao avançarmos, o balanço começou a ficar mais intenso.

Foi quando senti os primeiros sinais de enjoo. Por alguns instantes, temi que aquilo pudesse atrapalhar a experiência. Um outro passageiro, de Belo Horizonte, que também enfrentava o mesmo desconforto, me ofereceu um fruto chamado periperi, conhecido pelo seu sabor ácido e por ajudar em casos de mal-estar. Mesmo sem muita expectativa, aceitei e para minha surpresa, funcionou mesmo. Em poucos minutos, o enjoo diminuiu, e consegui aproveitar o passeio com muito mais tranquilidade.

Chegada na Ponta do Corumbau

Ao longo da travessia, avistamos ao longe o Monte Pascoal, surgindo no horizonte como um lembrete vivo da história do Brasil. A presença daquele marco natural provoca uma sensação única, quase como se fosse possível reviver, ainda que por um instante, o olhar curioso e admirado dos primeiros navegadores que chegaram a essas terras séculos atrás. Esse momento trouxe um significado especial à experiência.

Conforme nos aproximávamos de Corumbau, a paisagem começava a se transformar e, aos poucos, a famosa ponta se desenhava diante de nós. O banco de areia, que se estende mar adentro na maré baixa, revelava um cenário sensacional, apesar da tábua da maré não estar tão baixa.

Desembarcamos e seguimos caminhando pela orla até a vila, em direção ao farol, onde se forma o caminho de areia conhecido por Ponta do Corumbau que se prolonga mar a dentro na maré baixa sendo possível a caminhada. Ao longo do percurso a força da natureza se tornava evidente. Algumas construções à beira-mar, hoje abandonadas, carregam as fortes ressacas ao longo do tempo, não resistiram e viraram ruínas. Esse cenário cria um contraste marcante entre a presença humana e o avanço do mar, ressaltando o caráter indomável e genuíno do lugar.

A água do mar estava cristalina, morna e irresistivelmente convidativa. Aproveitamos cada instante, o que trouxe relaxamento e uma sensação quase terapêutica. O difícil foi se despedir: deixar aquele cenário inesquecível e retomar o ritmo da vida cotidiana.

Restaurante Panela de Barro

Chegou a hora do almoço, a fome apertou e veio junto a vontade de experimentar a culinária de Corumbau. Seguindo a recomendação do Sr. Antônio, capitão da embarcação Libra, fomos ao Restaurante Panela de Barro, à beira-mar.

Há vários estabelecimentos gastronômicos alinhados lado a lado, todos muito bem organizados e limpos. As cozinhas ficam na parte de trás, voltadas para a rua da vila, enquanto as mesas e espreguiçadeiras, todas cobertas, se distribuem mais próximas do mar, criando um ambiente agradável e convidativo.

A escolha não poderia ter sido melhor. Pedimos uma Moqueca que veio super caprichada, sem o coentro pois para o meu paladar, esta especiaria tão utilizada rouba o sabor do alimento. Prepararam aquela iguaria exatamente como solicitamos, o prato veio generoso, bem servido para duas pessoas, com sabor marcante e ingredientes frescos, típico da culinária baiana raiz.

Em relação aos valores, a refeição seguiu o padrão da região turística: Moqueca para duas pessoas, pagamos R$ 180, mas depende da escolha (peixe, camarão ou misto) pode variar para mais. Considerando o local, a qualidade e a experiência de comer com os pés praticamente na areia, o custo se mostrou coerente.

Mergulho nas águas cristalinas

Infelizmente, o tempo se esgotou e embarcamos novamente. O roteiro previa uma parada nos recifes de corais para mergulho, mas, naquele dia, a maré não colaborou. A visibilidade ficou comprometida e acabou limitando um pouco a experiência. Ainda assim, ao longo do passeio, encontramos trechos de águas extremamente cristalinas, onde foi possível aproveitar o mergulho e observar pequenos peixes e formações de corais.

Permanecemos cerca de 40 minutos nesse ponto antes de iniciar o retorno.

O retorno e a sensação de missão cumprida

Por volta das 17h, retornamos a Cumuruxatiba, encerrando o passeio com uma sensação clara: tinha valido cada minuto. Mesmo com o pequeno susto inicial no barco, onde o mal estar estomacal prometia azedar o dia, deu tudo certo.

Ponta do Corumbau, mais do que um destino

A Ponta do Corumbau não é apenas um lugar bonito. É uma experiência que envolve natureza, história e sensações. É o tipo de destino que não se resume em fotos ou em palavras, ele precisa ser vivido.

Ponta do Corumbau

Onde fica

A Ponta do Corumbau está localizada no litoral sul da Bahia, no município de Prado, entre as vilas de Cumuruxatiba e Caraíva. É um dos destinos mais preservados da região, conhecido pelo encontro do rio com o mar e suas paisagens tranquilas.

Como chegar

Existem diferentes formas de acesso, e a escolha depende do seu estilo de viagem:

  • De barco (opção mais comum): saídas a partir de Cumuruxatiba e Caraíva, com trajeto agradável pelo mar.
  • Por terra, via Cumuruxatiba: o percurso é feito por estradas de terra, com alguns trechos mais irregulares que exigem atenção.
  • Passeios organizados: ideais para quem prefere comodidade e não quer se preocupar com direção ou logística.

Quando ir

O melhor período para conhecer a Ponta do Corumbau vai de dezembro a abril. Nessa época, o clima costuma ser mais seco, com temperaturas elevadas e menor probabilidade de chuva, o que garante dias ensolarados e mar cristalino.

O que fazer

A simplicidade do destino é justamente o seu maior atrativo. Entre as principais atividades estão:

  • Caminhar pela longa faixa de areia
  • Aproveitar o encontro do rio com o mar
  • Fazer mergulho com snorkel
  • Relaxar e contemplar a paisagem
  • Explorar o entorno, incluindo áreas próximas ao farol

Onde comer

A estrutura é simples, mas atende bem os visitantes. Um destaque é o Restaurante Panela de Barro, que oferece pratos típicos da região. Há também outras opções mais básicas à beira-mar.

Custos médios

  • Passeio de barco (saindo de Cumuruxatiba): cerca de R$ 200 por pessoa
  • Aluguel de snorkel: em torno de R$ 15 por pessoa
  • Moqueca (para duas pessoas): entre R$ 180 e R$ 250

Dicas importantes

  • Se você costuma enjoar, leve gengibre ou medicação preventiva para o trajeto de barco
  • Consulte a tábua de marés antes de ir
  • Não esqueça protetor solar, água e dinheiro em espécie
  • Preserve o local: recolha todo o seu lixo
  • O acesso entre Prado e Cumuruxatiba inclui trechos de estrada de terra; em dias de chuva, as condições podem piorar, então vale verificar antes de sair

Com planejamento simples, a visita à Ponta do Corumbau se torna uma experiência inesquecível em um dos cenários mais bonitos e tranquilos da Bahia.

Sejam todos Aventurantes!

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